domingo, 27 de julho de 2014

Cinquentão

  Hoje eu acordei e tive vontade de pular em cima de você como nos velhos tempos. Aí a palavra tempo ficou martelando na minha cabeça. Me dei conta que não era o tempo que estava velho, mas a gente. Eu já não sou aquela menina de cabelo armado que corria e pulava em cima de um magrelo bigodudo desejando ´parabéns!´. E tudo era gritaria, e beijinhos, e olhos remelentos felizes.
  Então fui trabalhar meio saudosista por causa dessas lembranças. A memória rebobinou bons momentos que vivemos, como à época em que eu não tinha dinheiro e te dava cartões confeccionados com amor e carinho de presente. Era tudo muito especial. Lembrei então que você está fazendo 50 anos, ou seja, meio século já vivido. Que privilégio! Para uma pessoa que tem o discurso que morrerá todo fim de ano, que não passará deste ou daquele, e olha só, meio século já foi. Fazer 50 deve ser especial, aliás, fazer aniversário é especial. É saber que mais um ciclo foi cumprido e vivido, é esperar por mais.
  O tempo passou. Passou a hora também enquanto eu trabalhava, e depois de ficar mergulhada nas lembranças, voltei pra casa para finalmente te abraçar. Cheguei, te abracei, te beijei desejando que você ainda complete mais alguns aniversários, que mais momentos especiais sejam vividos, que os atritos e discussões sejam necessários para crescimento. Que o tempo não seja um peso, mas uma dádiva.
Parabéns!

Ao meu pai, pelos 50 anos conquistados no dia 26.07.2014.
Te amo.

Domingueira




Vem
Tem aquele vinho guardado
Uma caixa de alfajors Havanna
Tem malemolência espreguiçada no sofá
A sinestesia está na ponta dos dedos
Falta você aqui, pra eu tocar...

sábado, 19 de julho de 2014

Havia um menino

"Havia um menino,
que tinha um chapéu
para pôr na cabeça
por causa do sol.

Em vez de um gatinho
tinha um caracol.
Tinha um caracol
dentro de um chapéu;
fazia-lhe cócegas
no alto da cabeça.

Por isso ele andava
depressa, depressa
pra ver se chegava
a casa e tirava
o tal caracol
do chapéu, saindo
de lá e caindo
o tal caracol.

Mas era, afinal,
impossível tal,
nem fazia mal
nem vê-lo, nem tê-lo:
porque o caracol
era do cabelo.