quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Malebus


É o olhar. 
O cabelo grande.
O cheiro do cigarro camuflado no perfume.
A barba por fazer.
A mão dada.
A química. 
O gosto do beijo. 
O ar melancólico.
A esquisitice. 
A musicalidade.
Os interesses em comum. 
O papo sério.
As idiotices.
A inconstância. 
As divergências. 
É o desejar... aquilo que não se pode ter.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Duelo da rosa

Há um duelo. 
Valores estão em conflito com o desejo. 
Se permitir viver ou esperar pra ver?
A razão é quem vai dizer...


quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Em Paz

Acordou de bem consigo mesma. Olhou-se no espelho e se achou bonita mesmo com o cabelo desgrenhado que a fazia lembrar da Maria Bethânia. O enrolou num coque e ainda de pijama colocou o óculos, aquele que dá um ar de nerd a ela. Lembrou que tinha ido dormir com inúmeros pensamentos e tentando resolver problemas, arrependeu-se de contar segredos, mas como estava tão cansada, assim que deitou apagou num desmaio que só a fez levantar às 08:40 da manhã. Dormiu e acordou cansada, mas sua vida estava assim, numa rotina tão agitada que ela mal tinha tempo pra respirar. Mas estava bem, mesmo com tanta agitação e falta de tempo. Estava também mais auto-confiante agora e já não tinha receio do que poderia dar errado, ela agora está consciente de que vale a pena sempre andar com os pés no chão. Recebeu uma poesia em áudio pelo WhatsAp e ficou agradecida por ter pessoas tão queridas que demonstram carinho de forma simples e inusitada, da forma que ela mais gosta e aprecia. Alimentou seu peixe enquanto no fogo o bule anunciava que o café estava pronto e no ponto. Tomou o café aos goles enquanto papeava com o pai sobre livros, uma paixão em comum que possuem. Quando se levantou da mesa sentiu que estava bem, e mais importante, em paz.  


quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Reticências

'Falhei', pensou ela deitada no escuro do quarto enquanto relembrava conversas e acontecimentos. Sozinha com seus pensamentos tentava ensaiar a conversa que ansiava ter. Pensou como inutilmente tentou proteger seus sentimentos e de como se esforçou para não se entregar à emoção. Tinha prometido a si mesma que não se deixaria levar, que estaria com os pés no chão... Ah, mas ela tinha esquecido que o coração às vezes tem vontade própria e que por mais que a razão grite, ele não a escuta. 
'E agora? O que fazer?', continuava acordada embora já fossem 02:30h da manhã e o sono não aparecia, e os pensamentos não deixavam espaço para o descanso chegar. Das duas uma, ou se entregaria ou ia embora e estava consciente das consequências que cada escolha traria.  
Ai começou a agonia, aquele agonia boa e ruim. Percebeu que já se importava demais com as palavras que ele dizia, que sentia sua falta e que pensava constantemente nele. Percebeu que se importava demais com a vida dele para deixá-lo ir e se deu conta de que não queria abrir mão dele. Por fim, depois de tanto meditar, escolheu que se entregaria, estava cansada de dar ouvidos à vozes alheias, estava cansada de não poder viver intensamente sua própria vida. Tinha certeza que não seria fácil, mas ela sempre foi aquele tipo de gente que não gosta de seguir regras, que gosta de desafios. 
Agora está à espera, pronta pra enfrentar a guerra, caso ele escolha caminhar ao seu lado.


sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Ca[ti]var

"- Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"?
 - É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."
 - Criar laços?
 - Exatamente, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo..."

Ainda bem que você me cativou. Agora já não passas despercebido entre cem mil. Agora temos necessidade um do outro e já não vejo minha vida sem sua presença. Ainda bem que você me cativou. Agora eu compreendo a palavra fidelidade. Agora sei o significado de sinceridade e já não tenho receio de ser quem sou. Ainda bem que você me cativou. Agora entendo o real significado de amizade. Agora entendo o que é ser responsável por aquilo que cativei.




sábado, 7 de setembro de 2013

Meio a Meio

Pode até não parecer, mas sou uma romântica que não gosta de melosidades. Não curto melodramas. Não tenho paciência para declarações exageradas. Gosto mesmo do simples e objetivo, da clareza das atitudes que dão veracidade à fala. De vez em quando me permito assistir uma comédia romântica, mas só daquelas em que um dos personagens é ranzinza, provoca o outro, bate de frente e que aos poucos vai cedendo e revelando que no fundo é tão sensível como o toque do dedo numa bolha de sabão. Como o outro não desiste fácil, percebe as facetas, se sente desafiado a desvendar seu par, se determina a mostrar que também têm sentimentos e algo a dizer. Gosto do inusitado, do improvável, de pensar que talvez no fundo eu seja parte ranzinza, parte determinada... 



quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Parque

Nesse espaço eles podem ser tudo o que quiserem e imaginarem. São super-heróis e vilões. Há de todas as cores se quiser. Homens-aranha vermelhos, azuis e pretos. Pá-Pum-Bam! Eles defendem e atacam. Aniversário? Todo dia tem! Sempre há bolos de variados sabores e diversos enfeites. Pequenos e grandes, todos se posicionam e cantam 'o parabéns'. Há pedaços para todos, ninguém fica com fome. Castelos são erguidos enfileirados, firmes ou tortos, não importam. E se acaso eles desmoronem, não tem problema, são reconstruídos com a mesma facilidade e agilidade pelos construtores. Sempre há a família. Mãe, pai, filhos e cachorro. Cada um instituído e cumprindo seu devido papel. Cuidam e protegem, limpam e organizam. E correm pra lá, correm pra cá... gritam aqui e acolá... e escorregam e balançam... choram e sorriem... brigam e fazem as pazes... conversam e se distraem. Eu apenas observo esse lugar mágico, onde tudo se cria e vive, imagina e fantasia, desperta e interage. Penso que se percebessem o quão rápido o tempo passa e escorre como a areia entre os dedos, aproveitariam muito mais esse  fantástico lugar chamado parque. 


terça-feira, 30 de julho de 2013

Assombrar



"De modo geral, o mundo perdeu o senso de assombro. Crescemos. Já não perdemos o fôlego diante de um arco-íris ou do perfume de uma rosa, como acontecia antes. Ficamos maiores e todo o resto ficou menor, menos impressionante. Tornamo-nos apáticos, sofisticados e cheios da sabedoria do mundo. Não deslizamos mais os dedos sobre a água, não gritamos mais para as estrelas nem fazemos caretas para a lua. Água é H2O, as estrelas foram classificadas e a lua não é feita de queijo. (...) Heschel diz que hoje cremos que todos os mistérios podem ser resolvidos, e que todo o assombro não passa do "efeito que o novo imprime sobre a ignorância e que à medida que a civilização avança, o senso de assombro declina"."

MANNING, Brennan - O Evangelho Maltrapilho

terça-feira, 25 de junho de 2013

Essa m[ela]ncolia


Quatro paredes limitam seu corpo, mas não sua mente. Que sorte ela tem de poder viajar sem sair do lugar.
Mentalmente recolhe suas tralhas numa mochila e sai errante por ai. Fotografa tudo, registra lugares e sorrisos, coisas que aos olhos dos outros parecem não ter nexo, mas que fazem todo sentido pra ela.
As coisas simples são as que mais lhe atraem, não se importa muito com o ter, mas com o ser. Gosta de estar com pessoas.
Guarda bugingangas carregadas de significado especial. De vez em quando as retira da caixa para reviver lembranças, animar o coração.
Enquanto caminha por ai carrega no peito a esperança de realizar alguns feitos, de viver alguns sonhos, deseja secretamente ser feliz.
De repente se dá conta: acordou melancólica.


segunda-feira, 24 de junho de 2013

[Do]n't fly! II

Aquietai-vos borboletas
Não é permitido voar 
O racional precisa ser forte 
Para não se deixar levar

Aquietai-vos borboletas
Vocês precisam ficar quietinhas
Atrapalham constantemente
O que se é dito nas entrelinhas

Aquietai-vos borboletas
Não façam confusão
Podem acabar machucando
Esse tal de coração




terça-feira, 7 de maio de 2013

Grey

O céu estava claro e num tom azul perfeito, mas no fim de tarde tudo ficou cinza, perdeu a beleza que ostentava. A Bíblia diz: 'Maldito o homem que confia no homem'. Esqueci disso por um momento, como também esqueci que no mesmo livro está escrito: 'enganoso é o coração mais do que todas as coisas'. Se eu pudesse voltar atrás e rebobinar dias, ter a oportunidade de fazer algo de modo diferente, de deixar o céu ainda no seu lindo tom azul... Se eu pudesse voltar e lembrasse que seres humanos são falhos, que o medo nos coloca em situações assombrosas, que não se pode confiar em todo mundo, de perceber que o coração continua enganoso e que as pessoas não são iguais a mim. 
Se eu pudesse fazer isso, o nublado do meu coração sumiria...


terça-feira, 16 de abril de 2013

Marie Claire

Ela é alguém de muitos sonhos e opinião formada, que não tem medo de dizer o que pensa nem de correr atrás daquilo que acredita. Possuidora de uma vivacidade extraordinária que por trás do sorriso largo e do constante pestanejar esconde uma mulher pouco conhecida dos muitos que a rodeiam. Das gracinhas que solta alguns fazem caso, não conseguem enxergar além da bonita maquiagem que aformoseia o rosto. Não percebem que ali está alguém que consegue salvar dias melancólicos e conversar assuntos sérios. Alguém apaixonada pela vida e das constantes companhias amigas. E nesse dia especialmente escolhido para celebrar sua existência eu desejo a conquista de seus objetivos, alcance de seus sonhos e uma vida  intensamente vivida...





À Maria Clara, pelas conversas e cafés... Feliz aniversário!

sábado, 13 de abril de 2013

[Re]lembrando

O computador voltou do conserto. 
Abri pastas com fotos de um ano atrás.
 Revi um álbum com imagens românticas nossas. 
Não senti especificamente saudade dele, apenas de ter alguém... 



quinta-feira, 28 de março de 2013

Pisc[ando]


"– A vida, senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem para de piscar chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos. viver é isso. É um dorme e acorda, dorme e acorda, até que dorme e não acorda mais [...] A vida das gentes neste mundo, senhor Sabugo, é isso. Um rosário de piscados. Cada pisco é um dia. Pisca e mama, pisca e brinca, pisca e estuda, pisca e ama, pisca e cria filhos, pisca e geme os reumatismos e por fim pisca pela última vez e morre.
– E depois que morre?, perguntou o Visconde.
– Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?!"

(Monteiro Lobato)

terça-feira, 26 de março de 2013

finished dreams

Ao deitar não pensa em nada. Não sonha com mais nada. Apenas fecha os olhos e dorme na vã esperança de que os dias passem e ela curta cada um deles intensamente. Atribui isso ao fato de estar mais madura, mas no fundo sabe que é obra do cansaço misturado com a falta do que pensar. 


segunda-feira, 11 de março de 2013

Da contagem dos dias



"Não podemos contar os dias como se contássemos balas? Assim só contaríamos as que o dinheiro (que nosso pai nos dava de vez em quando pra compra-las) daria pra comprar. Não podemos contar os dias como se fossem estrelas? Assim perderíamos a conta, navegando na imensidão da noite... Ou quem sabe, poderíamos contar os dias assim, desse jeito mesmo. Sendo felizes, sendo plenas. Sendo mulheres e meninas... Sendo inteiras e pela metade. Mas ainda assim, aprendendo com um 'Painho' paciente a contar os dias de maneira sábia" 

Da linda Maria Clara, que me deu de presente de aniversário! Muuuito obrigada Mary, você sabe que amo coisas assim, bem como nossa telepatia textual! rs ;)

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

[Do]n't fly!


Aquietai-vos borboletas
Não é permitido voar 
O racional precisa ser forte 
Para não se deixar levar....


Estranhando




Estranho é, um estranho agora é para mim.
Estranho é não saber notícias, não ter a amizade constante, não receber as mensagens de conteúdos hilários que me faziam tanto rir.
Estranho é eu não poder contar minha rotina, pedir conselhos, explicar palavras desconhecidas do português e gargalhar das inventadas pela preguiça de pensar na tradução.
Sabe, essa estranheza não é culpa da distância, nem do tempo, nem de pessoas.
Não é culpa de mais ninguém além de nós mesmos. Somos culpados da nossa própria indiferença. 
Talvez eu seja orgulhosa demais para mudar a situação, ou talvez eu tenha cansado de ser idiota, mas a verdade é que eu daria tudo para voltar no tempo.
Daria tudo para voltar a ser como éramos.
Daria tudo para não saber o significado da palavra extrañar...

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Vagueando


Tic-tac
Passam os minutos
Vagueiam pensamentos
Correm lembranças
Diminuem as horas
A imaginação passeia
O telefone toca
Volto à realidade
Tédio, tédio... tudo culpa do tédio.